quarta-feira, 26 de agosto de 2009

DOCE 30 ANOS


FARÁ EM SETEMBRO PRÓXIMO 30 ANOS QUE APARECERAM AS DOCE.
FORAM UM DOS FENÓMENOS MAIS POPULARES DE SEMPRE NA POP NACIONAL E FORAM IGUALMENTE POLÉMICAS.
MARCARAM UMA GERAÇÃO E NATURALMENTE TODA A IMAGEM DA DÉCADA DE OITENTA. CONTINUAM NA MEMÓRIA DE TODOS MESMO NAQUELES QUE NASCERAM JÁ DEPOIS DO FIM DO GRUPO EM 1987.
A SABER, ESTÃO PREVISTAS ATÉ AO FIM DO ANO EDIÇÕES RETROSPECTIVAS DO SEU CATÁLOGO DISCOGRÁFICO, QUE INCLUEM INÉDITOS E RARIDADES, ASSIM COMO SERÁ DISPONIBILIZADA PELA PRIMEIRA VEZ UMA EDIÇÃO EM DVD COM OS MOMENTOS MAIS MARCANTES DE CENTENAS DE PRESENÇAS EM TELEVISÃO, FESTIVAIS DA CANÇÃO E NATURALMENTE ALGUNS VIDEOCLIPS QUE NA ÉPOCA DAVAM OS PRIMEIROS SINAIS DE VIDA EM PORTUGAL.
EDIÇÕES A NÃO PERDER ESTE NATAL.
EM JEITO DE HOMENAGEM PUBLICO AQUI UM TEXTO QUE FIZ EM 2003 PARA A COMPILAÇÃO "DOCEMANIA" DA QUAL FIZ IGUALMENTE A CONCEPÇÃO GRAFICA E UMA CO-PRODUÇÃO EXECUTIVA.

Quando em 1979, Teresa, Fá, Laura e Lena se juntaram para formar as DOCE, prenunciando a reivindicação de uma imagem atractiva e algo provocante, o universo musical português estava demasiado marcado por modelos de um certo puritanismo moral e formal, onde tudo era determinado pelo domínio da mensagem política, mais ou menos imediata. Recordemos que tinham decorrido apenas cinco anos desde o 25 de Abril, e certas ousadias eram coisa rara e nunca vista do lado de cá das nossas fronteiras.
As canções que interpretaram foram o prolongamento natural de uma atitude que compreendia o domínio da música pop num sentido alargado de espectáculo, onde se incluia uma ideia de "glamour" que pusesse as pessoas a sonhar, algumas ousadias na afirmação do corpo e, de um modo geral, procura de inovação e de uma imagem forte, obedecendo a uma concepção onde nada era deixado ao acaso. Foi isto que fez das DOCE um grupo que desafiou o tempo português em que surgiu, trazendo consigo um suplemento de "escândalo" que não era senão a marca da irreverência, do profissionalismo e da inteligência. Note-se que tudo isto se passou muito antes da onda das "girls band" que apareceram nos últimos anos um pouco por todo o lado.
O primeiro disco, "Amanhã de Manhã", saído em 1980, ganhou uma enorme popularidade e continua a ser até hoje das músicas que maior sucesso fizeram no nosso país. Ainda nesse ano, concorreram ao Festival RTP da Canção com "Doce". Obtiveram o segundo lugar, mas acederam, a nível nacional, a um lugar destacado no mundo da televisão e do espectáculo. O primeiro album, saído ainda nesse ano, chamou-se "OK.KO:" e foi o ponto de partida para várias incursões internacionais. Nesse album encontram-se uma série impressionante de êxitos: "Café com Sal", "O Que Lá Vai Lá Vai", "Depois de Ti". Mas outro dos maiores êxitos do grupo teve lugar em 1981, graças a uma canção que apresentaram no Festival RTP: "Ali-Bábá". Não ganharam o festival, mas viram a sua canção elevada ao maior sucesso comercial de sempre da história deste evento da música portuguesa.
Entretanto, estava consolidada a imagem das DOCE, no seu papel inovador, entre nós, capaz de alguma agressividade e de provocar o desafio. Em termos estritamente musicais, pode dizer-se que nas suas canções se cruzam e combinam aspectos próprios da "pop", do "disco" e do "rock". Recordemos que na pré-história do grupo há um facto que importa ter em conta: três elementos (Teresa, Fá e Lena) tinham passado pelos Gemini.
O segundo album, "É Demais", marca também uma mudança radical do "look" e consolida-se a posição de grupo polémico, a imgem das DOCE ultrapassa aqui todas as espectativas e ganham uma projecção nacional que atravessa todos os estratos. Fazem parte desse album temas a solo como "Uau", na voz de Lena, "Eu Sou", na voz de Laura, "Dói Dói", na voz de Fá e "Desatino", na voz de Teresa.
O primeiro lugar no Festival RTP da Canção, obtiveram-no em 1982, com "Bem Bom". O facto de representarem Portugal na Eurovisão constituiu um impulso para a experiência de um percurso internacional, tendo editado discos em espanhol e inglês, os singles "Bingo", "For the Love of Conchita" e "Starlight". Com a edição internacional destes discos as DOCE dão a "volta ao mundo" visitando inúmeros países nos vários continentes. Das Filipinas aos Estados Unidos fizeram furor e foram notícia na imprensa internacional.
Regressando ao Festival em 1984, com "O Barquinho da Esperança", assinaram ainda nesse ano um novo sucesso chamado "Quente, Quente, Quente". Em 1987 despedem-se com um duplo album, "Doce 1979-1987", onde aparece "Rainy Day" gravado nas sessões da fase em inglês.
Basta evocar o nome de todas as canções que fizeram o estrondoso êxito das DOCE para percebermos que elas tinham uma carga de erotismo ludico, até no modo como eram rigorosamente encenadas, contrastando fortemente com o lado sombrio e coercivo do meio social português. Este foi um dos contributos das DOCE, mas não o único pelo qual se podem orgulhar de terem alcançado um dos maiores reconhecimentos públicos jamais obtidos por um grupo, em Portugal.

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